Oferta e Demanda no SUS – Um Manual da Gestão Eficiente!

Como Gestor de Saúde você assumiu a obrigação gerenciar a demanda no SUS, e atender todas as necessidades dos seus cidadãos – uma tarefa extremamente difícil!

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Nesse artigo, você vai descobrir quais são os parâmetros assistenciais do SUS, saberá qual é a demanda teórica do seu município, fazer comparações com a Demanda Real e aprenderá a monitorá-la de forma fácil.

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Confira!

Série de Artigos:

  1. Artigo 1: [Você está aqui] – Demanda Teórica no SUS – Atenção Básica x Média Complexidade!.
  2. Artigo 2: Um Exemplo Incrível de Organização de Demanda na Atenção Básica: Parte 1.
  3. Artigo 3: Município do SUS organiza sua Média Complexidade: Parte 2.
  4. Artigo 4: [Ação Necessária] – Como Organizar de vez a Gestão do SUS – Implantando a Gestão Nota 10.

O Artigo 196 da nossa Constituição Federal diz que:

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”

Frente a esse direito básico, você, Gestor terá que usar todas as suas habilidades para cumprir com sua missão!

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Demanda x Oferta: Um conflito permanente.

Oferta e Demanda no SUS sempre andam juntos e travam uma batalha em busca do equilíbrio, todos sabemos disso. Sendo assim, eu gostaria de reforçar esses dois importantes conceitos e a forma como eles se relacionam.

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O quê é Demanda?

Demanda significa a quantidade de um bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir por um preço definido em um mercado. A demanda pode ser interpretada como procura, mas não necessariamente como consumo, uma vez que é possível querer e não consumir um bem ou serviço, por diversos motivos. Fonte.

Agora, vamos trazer o parágrafo acima para o jargão do SUS e da assistência à saúde:

Demanda significa a quantidade de serviço (atendimentos/consultas/cirurgias) que os consumidores (pacientes/cidadãos) desejam adquirir (receber) por um preço (preço?!) definido em um mercado (Zero Real: R$ = 0,00). A demanda pode ser interpretada como procura (e eles procuram, mesmo), mas não necessariamente como consumo (são consultas), uma vez que é possível querer e não consumir um bem ou serviço (é, há paciente que querem por que é de graça), por diversos motivos (pois a demanda foi maior que a oferta, por exemplo).

O quê é Oferta?

Oferta é o ato de oferecer, doar algo; um oferecimento; a ação de oferecer alguma coisa por um preço determinado, com desconto. Fonte.

Fazendo novamente o paralelo com a Saúde:

Oferta é o ato de oferecer (atendimentos/consultas/cirurgias), doar algo (atendimentos); um oferecimento; a ação de oferecer alguma coisa por um preço (preço?!) determinado com desconto (100% de desconto – Zero Real: R$ = 0,00).

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É fato: Você tem um problema de Demanda!

Sim, esta é uma afirmação para a qual não há dúvidas! Você não é diferente de nenhum outro Gestor do Brasil e sempre terá uma demanda no SUS maior que a sua oferta.

O fator PREÇO ZERO no SUS (garantido pela constituição) torna a relação totalmente distorcida, fazendo com que a DEMANDA aumente exageradamente (quase infinitamente), a ponto de não se conseguir OFERTAR os serviços necessários à população.

Mas você ainda tem outro problema mais sério, ainda! A Falta de Planejamento eficiente.

  1. Você não tem uma Estimativa Teórica de qual será a sua demanda Teórica no SUS e…
  2. Você não monitora a demanda Real no SUS do seu município.

Dessa forma, como Gestor, você não tem condições de fazer um planejamento eficiente. Vamos descrever cada um desse problemas com detalhes e mostraremos como organizar a demanda em sua cidade.

Leia mais Artigos:

  1. Artigo 1: [Você está aqui] – Demanda Teórica no SUS – Atenção Básica x Média Complexidade!.
  2. Artigo 2: Um Exemplo Incrível de Organização de Demanda na Atenção Básica: Parte 1.
  3. Artigo 3: Município do SUS organiza sua Média Complexidade: Parte 2.
  4. Artigo 4: [Ação Necessária] – Como Organizar de vez a Gestão do SUS – Implantando a Gestão Nota 10.

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Demanda Teórica – Você deveria ter [pelo menos] noção!

A demanda teórica é uma estimativa geral da quantidade de atendimentos necessários para uma cidade de determinada população. A quase totalidade dos Gestores não fazem ideia de qual seria [ou deveria ser] a procura pelos serviços de saúde que ele gerencia.

Por questões óbvias de gerenciamento, todo gestor deveria saber:

  • Quantas Consultas Médicas em Atenção Básica ele precisa dispor à sua população.
  • Quantas Consultas de Enfermagem?
  • Qual o Percentual de Consultas Médicas das quais os médicos precisam de exames?
  • Quantos encaminhamentos para o Cardiologista são necessários por mês?

Sem essas respostas, o Gestor fica completamente perdido e deixa o “barco da Gestão” à deriva, sem conseguir Gerir, com eficiência ou até mesmo Monitorar o seu estado atual.

Baseado em estatísticas de atendimento, o Ministério da Saúde já fez uma estimativa da demanda estimada cada Gestor terá, baseado na população do Município e nenhum Gestor pode prescindir dessa informação.

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Confira os outros Artigos:

  1. Artigo 1: [Você está aqui] – Demanda Teórica no SUS – Atenção Básica x Média Complexidade!.
  2. Artigo 2: Um Exemplo Incrível de Organização de Demanda na Atenção Básica: Parte 1.
  3. Artigo 3: Município do SUS organiza sua Média Complexidade: Parte 2.
  4. Artigo 4: [Ação Necessária] – Como Organizar de vez a Gestão do SUS – Implantando a Gestão Nota 10.

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Demanda Real: É sua obrigação saber!

A Demanda Real da população pelos serviços de saúde deveria ser algo básico na gestão de uma Secretaria de Saúde.

Você pode até não saber qual deveria ser a demanda (teórica) mas a Demanda Real depende de matemática e estatística. Basta somar e anotar os dados de atendimento que você já tem em seu município.

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Demanda Real ou Teórica: Qual delas é melhor?

A Demanda Teórica é uma estimativa aproximada para que um Gestor que acabou de Assumir uma Secretaria de Saúde possa ter uma “noção” – um alvo, uma meta para fazer suas comparações. Só com uma referência teórica o Gestor poderá dizer se os atendimentos atuais realizados estão maiores ou menores que os de cidades de porte semelhante.

Já a Demanda Real é a verdadeira e reflete o número de atendimentos realizados, com um olhar mais imediato, em um passado imediato de 2 ou 3 meses.

O mais importante é saber se a Demanda Real está dentro do valor estimado pela Demanda Teórica, como veremos mais à frente.

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Como Descobrir a Demanda Teórica da minha Cidade?

A Portaria n.º 1101/GM, de 12 de junho de 2002 do Ministério da Saúde apresenta uma estimativa quase completa dos serviços que seu município precisa (pelo menos teoricamente).

Com essa previsão, você poderá fazer comparações com os atendimentos que você realiza, efetivamente.

Todos os cálculos da Demanda Teórica são baseados na população da Cidade, com a seguinte fórmula:

  • População da cidade.
  • Percentual estimado por procedimento.
  • Quantidade Estimada: a Demanda Teórica.

Como exemplo, vamos usar uma cidade de 23.450 habitantes para discutirmos a Demanda Teórica e compará-la com a Demanda Real do Município.

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Fazendo as contas para Consultas Médicas em Atenção Básica…

  • Consultas Médicas:
  • População: 23.450 habitantes.
    1. Estimativa máxima de 3 consultas/habitante/ano: 70.350 consultas – 5862/mês;
    2. Estimativa mínima de 2 consultas/habitante/ano: 46.900 consultas – 3908/mês;
  • Consultas de Cardiologia:
    1. 2,1% das consultas médicas (1): 46.000 x 2,1%: 1477/ano – 123/mês
    2. 2,1% das consultas médicas (2): 70.350 x 2,1%:   985/ano –   82/mês.

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Pronto. Agora você já sabe quantas consultas de Cardiologia você precisa (teoricamente). O percentual varia muito entre as especialidades e entre os exames complementares, mas você pode ir calculando um por um calmamente… isso, se você tiver paciência.

Se você estiver, realmente, interessado em conhecer sua demanda teórica, solicite-nos uma avaliação gratuita e detalhada para o seu município.

Vamos em frente:

  1. Otorrinolaringologista: 1,9%
  2. Cirurgia geral: 2,3%
  3. Neurologia: 1.2%
  4. Eletrocardiograma: 60% do total de consultas cardiológicas:
    1. Entre 74 e 49 exames.

 

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demandaDe posse dos números, o Gestor será capaz de ter uma ótima noção para começar a fazer a sua análise. Agora que você já sabe qual é a Demanda Teórica para sua cidade, é hora de somar a Demanda Real.

– Para ter o Cálculo específico para seu Município, clique aqui que você receberá informações por e-mail.

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Série de Artigos:

  1. Artigo 1: [Você está aqui] – Demanda Teórica no SUS – Atenção Básica x Média Complexidade!.
  2. Artigo 2: Um Exemplo Incrível de Organização de Demanda na Atenção Básica: Parte 1.
  3. Artigo 3: Município do SUS organiza sua Média Complexidade: Parte 2.
  4. Artigo 4: [Ação Necessária] – Como Organizar de vez a Gestão do SUS – Implantando a Gestão Nota 10.

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Qual é a minha Demanda Real?

Essa é a parte mais difícil mas é ela que te dará uma visão real do quanto você se afasta ou se aproxima das estimativas do Ministério da Saúde.

Há algumas maneiras (simples, mas extremamente trabalhosas) de se conhecer a Demanda Real, veja como:

  1. Solicitar que o Digitador do BPA (boletim de produção ambulatorial) lhe envie um relatório mensal.
  2. Solicitar que a produção do SIAB seja enviada mensalmente para o Gabinete do Secretário de Saúde.
    • Quando os dados chegarem, você abre o arquivo em Excel.
    • Faz alguns cálculos básicos e faz a média dos atendimentos.
    • Mas para isso, você precisa de conhecimento básico/médio em excel.
  3. Solicitar ao profissional da Central de Marcação de Consultas que faça um Relatório detalhado das solicitações aos especialistas.
  4. Utilizar um sistema informatizado que já lhe oferece essas informações.

- Nós podemos lhe mostrar a sua Demanda Real.

Como você percebe, somente a opção de número 4 agiliza a sua Gestão e você deveria considerar. O E-SUS, ainda em fase de implantação, não lhe oferece esse tipo de informação, diretamente na tela do seu computador, como exemplificado no artigo seguinte desta série.

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Demanda Teórica: Exemplos Práticos:

A Portaria do MS que faz a previsão de demanda apresenta dados interessantes, como os mostrados abaixo:

A Distribuição da Atenção Básica:

Os Atendimentos da Atenção Básica deveriam estar distribuídos segundo o gráfico abaixo [clique na imagem para ampliar], com maior percentual de atendimento de Atendimentos de Enfermagem/Profissionais de nível médio.

É esta a realidade da sua cidade?

Demanda Estimada

Estimativa de Atendimentos Mínimos e Máximos:

Na barra Azul, a Demanda Teórica Máxima de atendimentos, em Vermelho (seta) a quantidade efetivamente realizada (Demanda Real) e em Verde, a Demanda teórica mínima.

Demanda Estimada2

Cada procedimento e especialidades do SUS tem seus valores mínimos e máximos de Demanda Teórica.

Demanda Estimada por Especialidades:

Cada especialidade tem sua própria demanda, em percentuais relacionados aos atendimentos de Consulta Médica em Atenção Básica – portanto, você é capaz de ter um parâmetro real de qual seria a necessidade (ou não) de se contratar um especialista. Veja abaixo.

 

Demanda Estimada 4

Mas e a Realidade?

E então?

Se você chegou até aqui, você conseguiu ter uma noção muito importante e clara da Demanda Estimada e Teórica que o seu Município deve se preocupar.

Com informações mais precisas, você pode fazer comparações entre a Demanda Estimada e a Demanda Real praticada na sua cidade.

No próximo artigo, você acompanhará um exemplo prático E REAL de um Município que acompanha com eficiência e efetivamente gerencia a Demanda da sua Secretaria de Saúde.

Série de Artigos:

  1. Artigo 1: [Você está aqui] – Demanda Teórica no SUS – Atenção Básica x Média Complexidade!.
  2. Artigo 2: Um Exemplo Incrível de Organização de Demanda na Atenção Básica: Parte 1.
  3. Artigo 3: Município do SUS organiza sua Média Complexidade: Parte 2.
  4. Artigo 4: [Ação Necessária] – Como Organizar de vez a Gestão do SUS – Implantando a Gestão Nota 10.

E então, o quê achou?

Como você organiza a demanda pela Média Complexidade em seu Município? Você acompanha as informações da Central de Marcação da sua cidade?

Não deixe de ler o próximo artigo e aprenda como analisar a demanda em seu município. Deixe o seu comentário.

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Dr. Leonardo Alves

Médico, Cardiologista, Estudioso de SUS e Informática médica.
CEO/Diretor da empresa MeuProntuário.net.
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